Sobrevivências... Enredando à vida pulsante (Ana Cláudia)

“Há sem dúvida motivos para ser pessimista, contudo é tão mais necessário abrir os olhos na noite, se deslocar sem descanso, voltar a procurar os vaga-lumes” (p.49).

Para ampliar a potente discussão proposta pelos Pirilampos, penso que sobreviver à escuridão é desterritorializar o pensamento, permitir-se mergulhar nos movimentos da vida que pulsa, uma abertura à multiplicidade.

Compondo com a leitura do II capítulo do livro “Sobrevivência dos vagalumes”, veio à memória o conceito de "Rizoma" de Deleuze e Guattari (1995)
O rizoma é aliança, é o que está entre, conexão. Não é excludente, o “bom e o mau” é rizoma, as linhas duras, mas também as linhas moleculares, flexíveis, juntamente com as linhas de fuga e as rupturas.

O plano da vida não é determinado por uma coisa ou por outra, mas sim enredado por tantos agenciamentos coletivos que nos atravessam. Nesse sentido, usamos o conectivo “e”: afetos e desafetos, luz e escuridão, macro e micropolíticas, leis que engessam e linhas criativas, e..., e..., e...

Portanto, "para conhecer os vaga-lumes, é preciso observá-los no presente de sua sobrevivência: é preciso vê-los dançar vivos no meio da noite, ainda que essa noite seja varrida por alguns ferozes projetores" (p.52).


Ana Cláudia Santiago Zouain

Comentários

  1. Que lindo texto! Quantos diálogos... Como antropófagos, é preciso nos aproximarmos dos vagalumes... Esse seu texto vagalumiou muitos deslocamentos em mim. Agradeço por essa violência...

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  2. Que texto rico e inquietante!! Penso que a vida é exatamente isso, uma trama de histórias, culturas, confrontos, encontros e desencontros. E o que faremos dela será o legado que deixaremos para os próximos vaga-lumes.

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  3. Efetivamente nós, com almas de pirilampos, devemos cuidar para que os holofotes dos pretensos "sabedores" não ofusquem nossa luz. E trabalhando coletivamente conseguiremos nosso intento.

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  4. Em tempos de tantos retrocessos e escuridão fria que atravessam o cenário político econômico em nosso país há sem dúvidas motivos (e muitos motivos) para sermos pessimistas. Afetos tristes nos apequenam, nos imobilizam, nos aprisionam, entristecem a Vida. Isso diminui ou nos separa das forças ativas que somos capazes de produzir. Nos tempos de escuridão gelada e fria é, com certeza, bem mais necessário e urgente abrir os olhos no meio da noite para lançar o olhar-pensamento à escuridão sombria a procura de pontos de luz que brilhantes, pulsantes e intermitentes re(existem). Pontos de brilhantes que escapam da luz ofuscante dos projetores/reguladores/dominantes e provocam lampejos alegres e inventivos, produzindo-criando movimentos intensos de resistência. Diante da escuridão é preciso mover o pensamento, pois pensar é criar, é provocar rupturas, é deslocar-se. Que nosso pensamento permaneça mutante, movediço. Que nosso pensamento não deixe de pulsar a favor da Vida. Que nossa maneira de pensar, ser, viver, (re)existir escape de qualquer modo de regulação-dominação, dando-se tempo e espaço para a criação, para a coletividade, para a multiplicidade, para a proliferação de reluzentes vaga-lumes ainda que a noite seja varrida por ferozes projetores.

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