Sobrevivência dos Vaga-Lumes [Cap. I]

Sobre Sobrevivência dos Vaga-Lumes, de Huberman, Cap.I, Infernos? - Estamos diante do Inferno dantesco, Pasolini? Ou, de que luz estamos falando, da grande Luz do Paraíso que se expandirá por toda a parte ou das luzes do inferno, fracamente reproduzidas na treva, pelos conselheiros pérfidos, os políticos desonestos, tal qual pequenos vaga-lumes, segundo a obra a Divina Comédia, de Dante Alighieri? Neste caso, Pasolini, cineasta italiano, a partir da releitura desta obra, descreve a sua trajetória histórica, desde a sua juventude, aos 19 anos, quando era estudante da Faculdade de Letras, em Bolonha, e como vaga-lume, pirilampava ao encontro de outros vaga-lumes, visando resgatar sua inocência cultural, mesmo mediante o fascismo imperioso, durante a 2ª Guerra Mundial. Pasolini descreve suas reflexões, de 1941 a 1975, percebendo um processo político-histórico-social de inversão de valores humanos, tomando por base a obra de Dante Alighieri, onde a Luz do Paraíso passa a ser tomada pelos holofotes dos conselheiros pérfidos, os políticos e dominadores, e a luz dos vaga-lumes, passa a ser a luz do povo, considerada fraca e sufocada pelos holofotes do poder. Ao longo deste processo, as culturas das quais fazemos parte, foram condenadas/capturadas pela industrialização, pela sociedade de consumo, pelas manobras tecnológicas das grandes telas televisivas, pela degradação do que chamamos democracia, pauperizando e ofuscando as lutas e as resistências das culturas populares, bem como suas consciências. A grande questão colocada por Pasolini, é como podemos resgatar a Luz dantesca dos vaga-lumes no Paraíso, e superar a ideologia dos conselheiros pérfidos? Eis a questão...

Por Maria Amélia Barcellos Fraga

Comentários

  1. O universo da obra de Georges Didi-Huberman se coloca extremamente atual, nos levando a refletir que vivemos em tempos assombrados pela luz de gigantescos projetores dominantes, que visam ofuscar as discretas porém poderosas danças dos vaga-lumes, cujas luminescências e movimentos precisos são corajosos atos políticos, sociais, históricos e poéticos de resistência.

    Fazendo um comparativo entre os projetores e os vaga-lumes daquele contexto histórico e social, penso que hoje, assim como na época de Pasolini, temos insistentes vaga-lumes que resistem ao fenômeno de terror e ódio em face do cenário político em que nosso país se encontra. Quem seriam, então, esses vaga-lumes? Acredito que todos temos uma luz pulsante dentro de nós, a procura de uma escuridão que a faça brilhar, bela e imponente, em prol da transformação social e da coletividade. Seres humanos com desejos de vaga-lumes, que dirigem suas danças para questões que são invisibilizadas não apenas pelos projetores dominantes, mas principalmente pela indiferença em relação ao outro e suas necessidades.

    Da mesma forma que Pasolini viu a dança dos vaga-lumes acender e iluminar a escuridão de sua época, ele também vivenciou seu “desaparecimento”. Eis aqui o questionamento que o primeiro capítulo desta obra levanta: de fato, os vaga-lumes desapareceram ou apenas não foi possível vê-los dançarem?

    Este blog, enquanto espaço de construção e desconstrução coletiva de conhecimentos e experiências, coloca-se como um possível dispositivo de penumbra onde possa habitar tantos vaga-lumes quantos forem possíveis, dispostos a resistir, encantar e se encantar com a beleza de suas danças e de outras danças.

    Não deixemos que a excessiva luz dos holofotes opressores personificados em forma de abusos de poder, manobras políticas, silenciamentos refletidos em anulação de diretos de toda a ordem e violências das mais variadas promovam o que o autor chamou de “desaparecimento do humano no coração da sociedade atual”. Façamos penumbra e brilhemos!

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    1. É interessante a reflexão, em momento de se fazer e se refazer humano. Não permitindo que se sobreponha sobre o brilho da humanidade o brilho da opressão. Que brilhem a s luzes dos vaga-lumes. Que brilhem a luzes da educação.

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    2. Efetivamente as ações deflagradas por nós é que (re) afirmarão as nossas convicções e nos libertarão de práticas homogeneizadoras, uma vez conscientizados de que tudo está interligado e quando “Acreditamos, assim, que a realidade é feita de causalidades, que as coisas, os fatos, as situações se encadeiam em relações causais que podemos conhecer e, até mesmo, controlar para o uso de nossa vida.”
      (CHAUI, Marilena 2000 p.6)

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    3. Excelente reflexão, Roberta!

      Também penso que eles não desapareceram... apenas os passamos a enxergar de outra forma e, assim, deixamos de vê-los dançarem no ar; mas o fato é que sempre estiveram ali e nunca deixarão de estar... só precisamos mudar nosso olhar, nosso modo como vemos as coisas... precisamos deixar de nos colocar em "evidência" (Roberto, 2017)* para podermos ver como vive o outro a partir de suas experiências, não a partir das nossas.

      * Referência ao nosso nobre colega que sempre está em evidência, no centro da sala! (risos)

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    4. Muito provocativo esse percurso reflexivo colegas.Nos remete a muitas indagações e nos faz pensar quando,como e porque paramos de enxergar o brilho dos vaga-lumes em meio as intempéries que nos assombra no mundo atual.Também aponta a necessidade premente de trabalharmos nosso olhar na direção de visualizarmos diferentes modos de como os pirilampos podem/devem BRILHAR...isso é essencial para o enfrentamento aos ataques que as "trevas capitalistas " nos impõem.

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  2. Todas as metáforas apresentadas no texto são atemporais e nos remetem a uma triste realidade. O "desaparecimento dos vaga-lumes" de acordo com o texto, remonta o fracasso e o desespero.
    O personagem Pasolini, mencionado anteriormente vê e prevê algo que nos é profundamente atual. O movimento dos pensamentos, das ideias e das ideologias estão sendo fortemente combatidos e em uma tentativa de desaparecimento. Esse desaparecimento propositalmente nos torna inseridos em uma coletividade alienada e iluminada por um único holofote que ilumina demarcando um único caminho com ideias definidas e prontas, sem questionamentos e sem apontamentos distintos.
    Walter Benjamin, citado no texto, já em 1935, corrobora com as metáforas aplicadas por Pasolini apontando uma crítica à democracia onde o homem, simplesmente, desaparecia e não participava de nenhum processo social e democrático. Para Benjamin, os "homens vivos", mesmos vivos, impossibilitavam-se de aparecer senão sob o reino, sendo guiados pela única e forte luz que os iluminavam. Essa luz de alienação não os faziam enxergar as possibilidades de outras luzes, pensamentos, ideias...
    De acordo com o texto, eis a razão pela qual "não há mais povo", não há mais "vaga-lume" que reflete à ideia de uma pobreza cultural e dialógica muito grande. A acomodação impõe somente duas possibilidades: viver em completa escuridão, ou viver diante de holofotes direcionados a um único pensamento. "É agir como vencidos"... "É não ver mais nada"...
    O texto nos instiga e nos faz acender!
    O grupo Pirilampos constituído por indivíduos que mesmo vivendo na escuridão de tempos difíceis onde nossa formação é invadida, questionada e manipulada por grandes holofotes que querem direcionar as práticas de ensino de nosso país, se mostra como "vaga-lumes" que aparecem em meio ao holofote.
    Fragmentos de luzes piscantes e incansáveis se colocam à disposição da discussão da ideia do ofício e da libertação de um sistema que nos quer engessar. Ser "vaga-lume" em tempos em que um governo não nos representa e quer conscientemente um povo alienado em ideias e ideais básicos de condições de pensamento é uma tarefa muito árdua, pois há uma falta de credibilidade e legitimidade em nossa profissão.
    Ser educador é andar na contramão da luz que ofusca e em meio à escuridão.
    Ser educador é ser "vala-lume" acendendo e apagando dentro de um sistema que critica, rotula e condena quem pensa, quem ensina, quem faz com que o outro enxergue a sociedade como de fato ela é se apresenta.
    Ser pirilampo é não desistir de acender. É negar a escuridão. É dizer que tipo de luz nos representa.
    Penso que essa é nossa grande intenção! Acender problemáticas capazes de esclarecer e nos ajudar em nossas práticas educativas. É ensinar ao outro a possível capacidade de acender também e, assim, aos poucos, possamos trocar luzes significativas e importantes para um bem comum a todos.

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    1. É interessante como a arte consegue acender em nós problemáticas tão significativas que são capazes de mover nosso pensamento, relevando aquilo que fica na escuridão, aquilo que escapa aos holofotes...

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    2. A educação enquanto poderosa arma de transformação social, atuando ao mesmo tempo como instrumento que promove a escuridão, no sentido de nos fazer enxergar os vaga-lumes (pois somente com certa escuridão podemos vê-los com toda a sua grandiosidade), e, em contrapartida, como ferramenta que faz acender nossa luz interior de resistência.

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    5. Como nossa amiga escreve bem! Muito bom texto e melhor ainda a reflexão que este nos proporciona...

      Interessante você mencionar esta questão da democracia (levantada por Benjamin nos idos de 1935) ... este apontamento feito por ele é tão atual. Vivemos uma "democracia representativa", porém que não nos representa! Mesmo com a retomada da democracia em nosso país (pós 1988), a população não se movimenta no intuito de se empoderar daquilo que a ela pertence... vivemos esperando que alguém faça aquilo que é nosso dever, ou que algo seja feito por nós. Com o tempo, fomos também, a exemplo dos vaga-lumes, deixando de nos mostrar, meio que "desaparecendo"...

      Devemos tomar como exemplo mais um italiano pensador: Gramsci. Para ele, os verdadeiros intelectuais são forjados no calor da luta, junto às massas, no cotidiano das causas e das lutas... eles não se formam nos bastidores, mas no contato direto com o povo e sua luta. Este exemplo nos leva a pensar que: temos uma "democracia representativa", porém o que necessitamos é de uma "democracia participativa"... E só termos isto se formos forjados no calor da luta, no contato com as massas, ou seja, se nos dispusermos à condição de formação de intelectuais orgânicos!

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    6. Obrigada, caro colega Aníbal. O texto é somente um desdobramento para pensamentos como os que você lembrou, apontou dignamente e fez um leitura pertinente e atual.
      Um elogio seu, me engrandece!

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  3. O capitulo I do livro Sobrevivência dos vaga-lumes do filósofo francês Georges Didi-Huberman, traz reflexões em torno da obra de Pier Paolo Pasolini (escritor, poeta e cineasta italiano) e Dante, que retratam um contexto político e histórico marcado pelo aniquilamento da inocência graças ao fascismo triunfante. Tendo de um lado os “conselheiros pérfidos” (políticos e dominadores) representando o poder, e do outro “os resistentes de todos os tipos, ativos ou ‘passivos’, se transformam em vaga-lumes fugidios tentando se fazer tão discretos quanto possível, continuando ao mesmo tempo a emitir seus sinais.” (DIDI-HUBERMAN, 2011, p. 17) sinais de resistência.
    Na atualidade, colhemos os frutos do “genocídio cultural” (assimilação total ao modo e à qualidade de vida da burguesia), que tentam o todo custo causar o “desaparecimento dos vaga-lumes”, acabando com os movimentos de resistência, através da dominação ideológica, colocando o povo a serviço da burguesia.
    E cabe a nós, como estudantes e profissionais da educação, isto é, formadores de opinião, com potencialidades de sermos vaga-lumes, nos colocarmos reluzentes frente à realidade em que vivemos, provocando movimentos de resistência, construindo possibilidades para que a luz dos holofotes opressores não chegue e não destrua nossa condição de seres humanos.

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    1. Isso mesmo, Renata! Bela reflexão! Construção de grandes possibilidades sempre!

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  4. Percebo na obra dois momentos de um mesmo Pasolini: o mesmo que ora cria o aparecimento dos vaga-lumes é aquele que pessimista cria um lamento fúnebre sobre o desaparecimento desses seres luminiscentes. Afinal, o que desaparece são os vaga-lumes ou o seu princípio de esperança? Teria Pasolini perdido sua capacidade de ver aquilo que não havia desaparecido completamente? Enquanto pesquisadores e profissionais da Educação é importante pensar sobre nosso próprio princípio de esperança. Há sempre crises, motivos para ser pessimista e render-se a desesperança, contudo é preciso abrir os olhos em meio a escuridão e deslocar-se. Implicar e se implicar. É preciso escapar do brilho dos projetores dominantes da contemporaneidade e procurar, sim, por vaga-lumes, investir na criação-invenção de outros modos de ser e de estar no mundo, estar atento às diferenças, às singularidades que são constituídas no cotidiano escolar e fora dele.

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    1. Eliana, querida! Quero estar sempre implicada com seus pensamentos tão reais e verdadeiros! Estar atento às singularidades, foi fantástico!
      É disso que o mundo precisa...

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  5. Após a leitura do primeiro capítulo da obra “A sobrevivência dos vagalumes”, considerei interessante me deter no personagem Pasolini, que foi inspirado em uma personalidade real, o cineasta Pier Paolo Pasolini (1922-1975). É importante analisar a obra e a biografia de Pasolini, conhecer como sua arte serviu como instrumento de luta e resistência em tempos sombrios, além de grande qualidade sob o ponto de vista artístico, Pasolini com suas obras (poesias, crônicas, pinturas, cinema), expressava-se com um alto teor crítico sobre temas como a repressão. O essencial ao analisar a vida e obra do artista também é fazer uma reflexão sobre como vem ocorrendo o engajamento das artes nos movimentos de resistência atualmente, principalmente se levarmos em consideração o momento crítico que nosso país está atravessando, são questões que podemos pensar: Qual a importância que os movimentos artísticos tiveram nas lutas contra a repressão no Brasil ditatorial (1964-1985)? Como as artes têm se engajado nos movimentos sociais atualmente? Como nós como estudantes/pesquisadores podemos trazer à tona essas discussões e trabalhar para a criação de uma arte engajada nos movimentos de resistência? A análise de tais questões nos auxilia a pensar a relação teoria e prática na educação, sem abandonar a dimensão política do processo educativo.

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    1. Concordo com você, Débora. Não devemos abandonar a dimensão política do processo educativo. Por isso devemos promover sempre a discussão, o debate, as novas propostas, as novas ideias dentro de um cenário democrático e legítimo. A luta e a resistência em tempos sombrios como o de Pasolini nos perpassa há muito tempo na educação. Nesse mesmo viés a arte também nos atravessa a todo momento e é sempre considerada menor... Por que? Qual aspecto de meritocracia e de valorização deprecia ou diminui a arte? Portanto, somos exemplos claros de resistências! Somos da educação!

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    2. Exatamente, caras colegas Débora e Gabriela... lembrando dos ensinamentos freireanos, "não existe melhor maneira de educar do que pelo exemplo" e "não é meu discurso que ajuiza minha prática, mas minha prática que ajuiza meu discurso". Temos que vivenciar aquilo que pregamos (e o viver precede o discursar); discurso sem vivência é falácia!

      Um local onde todos se sintam confortáveis e seguros para falar é de fundamental importância para o processo educativo, que não se faz apenas com a figura do professor, mas na relação professor-aluno, num constante movimento dialógico e dialético.

      Ter consciência desta especificidade do trabalho educativo e propagar esta ideia é, sem dúvida, um ato político, mas, acima de tudo, também educativo!

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    3. O que quis dizer, com o exposto acima, é que estas duas dimensões (a política e a educativa) jamais se separam; e que temos que vivenciar ambas, para que sejamos exemplos para os estudantes; e para que estes propaguem esta luz e estes ensinamentos.

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    4. Paulo Freire se fazendo presente como um eterno "pirilampo"...
      Boa, Aníbal!

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    5. Lendo seu comentário me lembrei da censura sofrida pelas artes nos museus na atualidade por entidades e grupos ligados ao MBL e as ditas "pessoas de bem". Esse grupo, em nome da família e dos bons costumes, têm perseguido artistas Brasil a fora censurando exposições que, de alguma forma violam seus preceitos religiosos cristãos e conservadores, como se a arte pudesse, de alguma forma, concorrer com os escândalos que a própria igreja católica cometeu ao longo da história com casos de pedofilia transitados e julgados mundo afora. Muito necessário pensarmos essa conjuntura que retrocede toda a compreensão conquistada sobre a importância, a mensagem e a dialética proposta nas exposições.

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  6. No livro Sobrevivência dos Vaga-Lumes, de Didi Huberman, os vaga-lumes, descritos por Pasolini em suas experiências da juventude em pleno regime fascista em 1941, representam as variadas formas de resistência da cultura, do corpo e do pensamento. Os vaga-lumes são as representações das pequenas luzes que diante do grande holofote do regime estabelecido revoariam para se exterminar. A exterminação aconteceria gradativamente, com o regime fascista, iniciando com a violência policial, desprezo a Constituição (tão próximo do que temos vivido atualmente), com a ausência e conformismo do Estado. Pergunto-me qual a real intencionalidade do Estado? Hoje seria considerável fazer a mesma pergunta para nós... Considerando que o Estado reprime e procura neuneutralizar a contestação dos dominados...vaga-lumes em extinção... Vivenciamos o funeral dos vaga-lumes, morte silenciosa, quase invisível, gradativamente acontecendo com as perdas de direitos, desrespeito à Constituição, levando a morte pequeninas luzes... morrendo a cada dia o pensamento livre, as ideologias, na imposição de manter a ordem, e que se voltem todos a uma grande e única luz dominante. Tentativas de desconstruir propostas, desmonte, sucateamento da Educação hoje são as armas que usam para a morte dos vaga-lumes. Somos a resistência, somos as pequenas luzes, somos os vaga-lumes. A Educação é a possibilidade de resistência. Hoje ser vaga-lume é resistir à luz da dominação de um governo ilegítimo.

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    1. Isso mesmo, Ione! Somos a resistência! Somos educadores! Somos luzes mesmos que por muitas vezes ofuscadas pela opressão mas continuamos acesas!!! Bela reflexão!

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  7. Podemos inferir do capitulo I do livro que os “vários infernos” pelos quais perpassa o ser humano durante o lapso temporal de sua vida, podem inevitavelmente levá-lo a deixar que sua luz (criticidade e indignação) se apague. Estabelecendo um paralelo com os vaga-lumes que deixam de existir em ambientes biologicamente fragilizados pelas ações humanas, também ações da classe dominante em função de proteger o status quo já consolidado apagam as possibilidades de transformação da sociedade.

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    1. Bela leitura Chicão! Que sejamos luzes que brilham, que às vezes se apagam, mas voltemos a brilhar! Que nunca deixemos de brilhar e que a esperança, como já mencionou nossa colega Eliana, não de apague!

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    2. Que possibilidades de transformação sejam potentes em meio aos tempos de trevas! Que pontos de luz (ainda que de modo intermitente) sejam resistentes diante dos vários "infernos" que perpassam a vida humana.

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    3. Nunca perder a esperança e criticidade. Boa reflexão Chicão.

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    4. Excelente destaque! Estamos vivendo um período de forte tentativa de "apagão" das nossas luzes de resistência. Mas como disse a colega Ione, não devemos perder a esperança, discernimento e foco neste momento.

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  8. https://www.dm.com.br/opiniao/2015/08/o-pirilampo.html

    A ascensão às Sublimes Moradas é lenta e árdua.

    Todavia, para atingi-las, o Poder Supremo, por não ter a pressa que ainda nos caracteriza, destinou-nos o tempo.

    O tempo flui sempre a nosso favor, nós que detemos a eternidade!

    Rui Barbosa, notável jurista brasileiro, citado no Título 11, assim traduz a função benéfica do tempo:

    “O tempo não conhece dificuldades, a que não gaste as arestas, não desate os nós, não resolva os enigmas.”

    2 – Emmanuel, no livro “Recados do Além”, impresso artisticamente, no que tange às nossas ações e atitudes, ao longo do tempo de nossa estada neste plano terráqueo, deixa-nos a seguinte mensagem:

    “Nunca te afirmes imprestável.

    Num aldeamento de colonização, surgiu um químico dedicado à fabricação de remédios, pesquisando as qualidades de certo arbusto que existia unicamente em cavernas.

    Detendo informes de antigos habitantes da região, muniu-se de lâmpada elétrica, vela e fósforos para descer aos escaninhos de grande furna.

    O homem começou a distanciar-se da luz do sol e porque a sombra se condensasse, acendeu a lâmpada, desdobrando uma corda que, na volta, lhe orientasse o caminho.

    A breves instantes, porém, as pilhas se esgotaram. Recorreu aos fósforos e inflamou a vela. Entretanto, a vela se derreteu e os fósforos foram gastos inteiramente, sem que ele atingisse o que desejava.

    Dispunha-se ao regresso, quando viu em pequeno recôncavo do espaço estreito e escuro o brilho intermitente de um pirilampo.

    Aproximou-se curioso e, à frente dessa luz, achou a planta que buscava, com enorme proveito na tarefa a que se propunha.

    Anotemos a conclusão.

    Quem não pode ser a luz solar, terá possivelmente o clarão da lâmpada.

    Quem não consegue ser a lâmpada, terá consigo o valor de uma vela acesa ou de um fósforo chamejante.

    E quem não disponha de meios a fim de substituir a vela ou o fósforo, trará, sem dúvida, o brilho de um pirilampo.”



    (Weimar Muniz de Oliveira, weimar.adv3@gmail.com)

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    1. Anotemos a conclusão!!!!!

      "Quem não pode ser a luz solar, terá possivelmente o clarão da lâmpada.

      Quem não consegue ser a lâmpada, terá consigo o valor de uma vela acesa ou de um fósforo chamejante.

      E quem não disponha de meios a fim de substituir a vela ou o fósforo, trará, sem dúvida, o brilho de um pirilampo.”

      Encontrei esse texto que nos remete a uma iluminação que é incessante e que, por vezes fracas, oprimidas, e desvalorizada ou desacreditada, há uma esperança de encontro, de descobertas, de iluminação. Somo s temos nossas próprias luzes! Somos educadores! Gostei muito e achei pertinente confrontarmos os textos que se completam, se constroem, que se separam e não param de piscar! São pirilampos!



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    2. http://blogues.publico.pt/letrapequena/files/2017/02/Prilampos2.jpg

      Essa imagem reflete bem esse texto sobre as luzes que se apagam e a importância dos pirilampos - pequenas e incessantes luzes - que nos ajudam em nosso caminhar e nos ajudam a bons e proveitosos encontros.

      Obs: Não consegui colar a imagem no blog. Seria importante mais um tipo de linguagem para fazermos relações. Por isso, segue o endereço da imagem que remeti ao texto.

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    3. Que a potência dos encontros e reflexões nos retroalimente...que nessa processualidade nos percebamos como pirilampos proativos não contaminados tampouco reféns do "projeto político" do estado de exceção vigente.Viva a liberdade de sermos pirilampos não adormecidos!!

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  9. Prezados alunos, vocês começaram muito bem!. Aguardamos a continuidade do debate!

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    1. Obrigada por apreciar nossas postagens, professora Andressa, outras postagens virão também dos/das outros/as colegas...

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    2. Ei, Professora Andressa! Espero que estejamos atendendo à proposta!
      Estou gostando muito de "pirilampar"!
      Que venham muitos debates! Muitas trocas!

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  10. Considerações sobre capítulo 1 do livro “Sobrevivência dos Vaga-lumes”
    de Georges Didi-Huberman

    Ao ler o capítulo 1 do livro “Sobrevivência dos Vaga-lumes”, compreendi que o autor fez comparações entre a realidade, a conjuntura em que ele viveu com obras de poesias escritas pelo poeta P. P. Pasolini, como sua obra: “A resistência e sua luz” (1961) e também com a obra “A Divina Comédia”, que é um poema, escrito por Dante Alighieri no século XIV e dividido em três partes: Inferno Purgatório Paraíso . Considero esse tipo de comparação/metáfora entre estudo da realidade e outras obras como cartografia. Mas, o que é Cartografia?
    “A Cartografia, que é ao mesmo tempo ciência e arte, é a ciência responsável pela representação da realidade, contribuindo para a melhor compreensão do mundo.”
    Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/geografia/o-que-e-cartografia.htm (Acesso em 01/10/2017).

    O primeiro capítulo o autor nomeia como “I-Infernos?” assim como o primeiro livro de “A divina comédia”:
    (...) a grande luz (luce) do Paraíso, Dante quis reservar, no vigésimo sexto canto do Inferno, um destino discreto, embora significativo, à “pequena luz” (lucciola) dos piri lampos, dos vaga-lumes.
    Ele faz uma comparação entre a luz, os vaga-lumes e a conjuntura política em que ele viveu, de guerras, de fascismo, de ditadura, e até mesmo de políticos corruptos que ele intitula de “conselheiros pérfidos”.
    “É um tempo em que os “conselheiros pérfidos” estão em plena glória luminosa, enquanto os resistentes de todos os tipos, ativos ou “passivos”, se transformam em vaga-lumes fugidios tentando se fazer tão discretos quanto possível, continuando ao mesmo tempo a emitir seus sinais. O universo dantesco, dessa forma, inverteu-se: é o inferno que, a partir de então, é exposto com seus políticos desonestos, superexpostos, gloriosos. Quanto aos lucciole, eles tentam escapar como podem à ameaça, à condenação que a partir de então atinge sua existência.”
    Aponta nesse trecho da página 16, que os políticos estão como forte luz em sua glória, em seus mandos e desmandos, (hoje com as leis aprovadas nas madrugadas, tirando os direitos conquistados por meio de lutas passadas). Enquanto os que resistem, são comparados aos vaga-lumes com uma pequena luz que insiste em brilhar mesmo em meio ao caos. Não é diferente da nossa conjuntura atual onde poucos vaga-lumes ainda brilham, poucas pessoas de bem, éticas, trabalhadores, pessoas que desempenham papeis de grande relevância social na luta pela educação, pela saúde enfim pelos direitos. Esses são tão poucos que são considerados vaga-lumes. Já a luz do sistema, do governo, da política, do capitalismo acaba sendo maior. Sejamos vaga-lumes nesse mundo de escuridão, com holofotes pérfidos, projetores ferozes, que não vem para fornecer a luz em meio às trevas, mas sim para segar aqueles que carecem de ajuda. Ainda assim não podemos deixar que os vaga-lumes desapareçam.

    Ghane Kelly Gianizelli Pimenta.

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  11. Continuação:
    Há um momento em que Pasolini dança como um vaga-lume, mostrando uma inocência juvenil, então diz:
    A inocência é um erro, a inocência é uma falta, compreendes? E os inocentes serão condenados, pois não têm mais o direito de sê-lo.
    É uma questão política, capital, onde o Governo quer os vaga-lumes mortos, apagados e quer todos inocentes, alienados, manipulados. Por isso, o autor alerta sobre a inocência. Devemos conhecer a realidade e ser luz, fazer a diferença.
    “O polêmico não hesita em falar de “genocídio”, autorizando-se na mesma ocasião a fazer uma referência a Karl Marx sobre o esmagamento do proletariado pela burguesia. Quanto ao poeta, ele utiliza a antiga imagem, lírica e delicada - e até mesmo autobiográfica - dos vaga-lumes.”
    Com o fortalecimento do capitalismo e do governo ocorre aos poucos um desparecimento dos vaga-lumes. Ocorre um desaparecimento do humano, porque o verdadeiro fascismo mata na verdade, sutilmente a alma, os valores, os corpos humanos, sem carrascos, nem execuções em massa.
    “Faço simplesmente questão de que tu olhes em torno de ti e tomes consciência da tragédia. E que tragédia é esta? A tragédia é que não existem mais seres humanos; só se veem singulares engenhocas que se lançam umas contra as outras.”pag. 29.
    Pasolini mostra-se um vaga-lume defensor do povo. De um povo que se torna vaga-lume e luta contra seu patrão sem querer tomar seu lugar. De um povo que tem uma energia revolucionária própria dos miseráveis. Ele diz que esse “espírito popular” desapareceu. O desaparecimento dos vaga-lumes. Ele fala do amor que tinha pelo povo, um povo que desapareceu na época da ditadura industrial e consumista onde as pessoas se exibem como uma mercadoria na vitrine. Foi trocada a dignidade civil pelo espetáculo comercializável, onde ninguém escapa dos “ferozes olhos mecânicos”, holofotes.
    “Assujeitou-se o mundo, assim, totalmente como o sonharam - o projetam, o programam e querem no-lo impor - nossos atuais ‘conselheiros pérfidos’? Postulá-lo é, justamente, dar crédito ao que sua máquina quer nos fazer crer. É ver somente a noite escura ou a ofuscante luz dos projetores. É agir como vencidos: é estarmos convencidos de que a máquina cumpre seu trabalho sem resto nem resistência. É não ver mais nada”.47
    Em 1941 Pasolini fala do surgimento dos vaga-lumes, mas tristemente em 1975 aponta o desaparecimento dos mesmos. O capítulo 1 permanece atual, parece apontar para o momento em que vivemos na conjuntura política, capitalista, midiática que nos influencia, silencia, manipula e nos apaga. Sejamos luz na escuridão, sejamos vaga-lumes, deixando para trás a inocência, não sejamos manipuláveis mas sim disseminemos nossa luz e despertemos outros vaga-lumes.
    Ghane Kelly Gianizelli Pimenta

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  12. Livro: “SOBREVIVÊNCIA DOS VAGA-LUMES” (Georges Didi-Huberman)
    Cap. I: “INFERNOS?”

    Assim como os vaga-lumes, também somos nós, seres humanos: pequenas luzinhas que iluminam os caminhos, se apaixonam uns pelos outros, vivem em conjunto... Na concepção do autor, “os vaga-lumes foram ofuscados por grandes refletores que os fez desaparecer”. Além disso, a poluição das águas, no campo, e do ar, nas cidades, também contribuiu para que estes bichinhos luminosos deixassem de “se mostrar” para nós.

    Também nós, seres humanos, deixamos de “iluminar” os caminhos... perdemos nossa luz! Com o tempo, vamos deixando de clarear a realidade, vamos perdendo nossa capacidade de buscar a verdade, vamos nos tornando “menos humanos”. O autor diz que “não existem mais seres humanos; só se veem (sic) singulares engenhocas que se lançam umas contra as outras” (p. 29-30). Ele diz ainda que “[...] o espírito popular desapareceu. E poder-se-ia dizer que essa é de fato uma questão de luz [...]” (p. 34). Os maiores responsáveis por esta situação seriam os shows políticos, os estádios de futebol, a televisão... estas são as “poluições” que nos fazem perder o contato com aqueles que realmente somos, e que vão nos “ofuscando”.

    Aos poucos, vamos perdendo nossa capacidade de refletir, de dialogar; perdemos nosso hábito de contemplar a natureza, de ouvir, de enxergar, de “iluminar”... assim como fizeram, também, os “vaga-lumes”. Pergunto eu: enquanto professores, estamos realizando, nós, a tarefa de “clarear”, de propor o diálogo, de ouvir e contemplar as necessidades de nossos estudantes?

    É preciso, e de fundamental importância, que busquemos a “grande luz” – luce –, para que possamos, também, emitir nossa própria luz. Os guerreiros, politizados, aqueles incapazes de aceitar a injustiça e a desigualdade ainda vivem em nós, apenas os passamos a enxergar (e também os ver) de maneira diferente. Se voltarmos nosso olhar para ele, assim como o fazíamos em direção aos bosques (observando os bandos de pirilampos), ampliaremos nossa capacidade de fazer das “pequenas luzes” “grandes e ofuscantes refletores”!

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    1. Muito bom, Aníbal! Vale à própria reflexão de nossas ações em nossa profissão, de nossos anseios e contribuições para que, os mesmos, se tornem possíveis e realizáveis. Será que estamos mesmo clareando? Acredito que, só de estarmos aqui, há uma inquietude e uma proposta de busca! Vamos em frente, amigo!

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    2. Questionamentos inquietantes e assertivos Aníbal! Acredito que sejam essas as principais "missões" dos docentes: instigar, iluminar (e porque não também apagar, para que novas luzes possam ser observadas) e sacudir mentes e corações.

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  13. Talvez estejamos vivendo um momento em que os holofotes estejam lançando sobre a sociedade luzes intensas demais a ponto de não iluminar e tornar as coisas mais claras, mas a ponto de cegar. Seria uma luz que projeta escuridão? Seria muita luz ou muita escuridão? De acordo com a obra, muita, muita luz...

    Vivemos um momento de verdades absolutas, de opiniões ásperas, em que a liberdade de expressão está acima de valores como dignidade humana e direitos constitucionais, um momento de julgamentos fáceis e de complexidades simplificadas e reduzidas. Penso que a luz dos holofotes atuais tem o poder de contaminar com intolerância, desrespeito e não tem contribuído para humanizar as mulheres e os homens do nosso tempo. Particularmente, minha leitura me transportou (?) para o tempo presente! Para a luz excessiva dos holofotes do nosso tempo! Uma luz que julga, que condena, que impõe.

    As reflexões tecidas no livro apontam a possibilidade de outra luz, uma LUZ COLETIVA que não agride, mas que comove e encanta: a luz dos vaga-lumes! Vaga-lumes que podem surgir como luz no fim do túnel, como esperança de dias melhores, mostrando a “boniteza” do humano. Não percamos a esperança! Sejamos vagalumes e sigamos Freire (1996, p. 75) quando diz “vivo a história como tempo de possibilidade e não de determinação.”

    Sigamos juntos, esperançosos, atentos e com nossas diferentes luzes acesas!

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    1. Lindo, Fernanda! "Seria uma luz que projeta escuridão?" Penso que pode ser exatamente isso! Qual interesse em se ter luzes, mesmo que menores, porém pensantes, questionadoras, inquietas, movimentando-se? Bem pensado, querida!

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  14. Excelente problematização, Fernanda! Suas implicações nos deixa com grilos na cabeça, borboletas no estômago rsrsrs
    Como Pirilampos com seus pontos de luz intermitentes, a cada acesso ao blog, percebo o quanto cada (de modo singular) acende em nós diferentes possibilidades de pensar sobre a temática proposta... Gratidão! Que nossa trajetória como mestrandos/as seja repleta de "bons encontros"! E será!

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  15. É inevitável afirmarmos que a escola hoje não é um lugar com objetivos comuns. Temos alunos que apenas a frequentam por obrigatoriedade ou para fugir de uma escuridão em que vivem, buscando alimento e quem os trate com respeito e carinho. Também existe o outro lado, onde encontramos professores que assumem esse papel insatisfeitos e desacreditados, estão ali de passagem até que “o destino sorria para eles”, e em vez de ser luz estão vivendo seu momento de treva. Não podemos nos conformar com essa realidade e necessitamos irradiar nossa luz onde estamos contaminando quem está perto e unindo forças para transformar o ambiente. Precisamos enxergar a luz em meio às trevas... despertar a esperança adormecida e ofuscada pela realidade.

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    1. Excelente reflexão Lara. Grande a importância da luz que levamos aos estudantes na escola, que muitas vezes só tem a possibilidade de serem iluminados na escola.

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