Relatório de fechamento da discussão do livro "Sobrevivência dos vaga-lumes" de Didi-Huberman
Partindo
da discussão realizada no blog “Pirilampos pela Ufes” da turma de Mestrado em
Educação, na modalidade Profissional, iniciativa da disciplina Grupo
Integrador, e das análises e contribuições das leituras propostas pelas
disciplinas do primeiro semestre, várias foram as colaborações dos alunos. Como
consequência dessas reflexões, surgiu a vontade da turma em ler trechos do livro
“Sobrevivência dos vaga-lumes” de Didi
Huberman, o que caracterizou a escolha do nome do blog.
O desenvolvimento
das ideias sobre o que seria a sobrevivência dos vaga-lumes, abordagens extraídas
do livro, nos levou a fazer outros questionamentos sobre o papel social que
desempenhamos quanto a formação humana, de cidadãos críticos, inseridos numa sociedade
diversa e adversa. Foi se apropriando
dessa imagem de vaga-lumes que os componentes deste blog, trouxeram suas
manifestações relacionando-as com suas práticas, experiências e vivências
educativas, sociais, culturais e políticas.
As
provocações giraram em torno de temas, tais como: emancipação do sujeito, a mídia
manipuladora, a modernidade na
construção, desconstrução e reconstrução do conhecimento e do sujeito, os
efeitos neutralizadores do mundo contemporâneo e da ordem social nas possibilidades
do sujeito, a busca de novas possibilidades, construção da identidade, a escola
reprodutora da opressão ou também da libertação, entre outros.
Logo,
entendemos que a grande questão é a importância do ser no entendimento do qual
é o seu potencial. O desafio é a superação coletiva e a auto-superação de “processos
humanos” alienantes.
Em
momento algum houve a pretensão de fechar-se em uma discussão aprofundada sobre
a obra, e sim, o objetivo de utilizar-se dos elementos trazidos pelo autor em “Sobrevivência dos pirilampos” para contextualizar o início de uma reflexão a
respeito de temas do universo escolar. Reconhecemos
a robustez do livro a partir da abordagem de elementos da linguagem da Arte e da
História que o autor se apropria na construção de seu texto, com os quais não
houve e intenção de dialogar e fazer conexões. Mas, deixarmos aqui o
reconhecimento do valor das possibilidades de reflexões que as múltiplas leituras
podem proporcionar aos leitores.
As múltiplas possibilidades de conexões e leituras da obra de Didi-Huberman, com certeza, não se esgotam. Isso me implica e, recorrendo a Mil Platôs de Deleuze e Guattari (1995, p. 18), penso que, de fato, um livro é um agenciamento que está somente em conexão com outros agenciamentos, em relação com outros corpos sem órgãos. Sim. Corpos sem órgãos. Qual o corpo sem órgãos de um livro? Há vários (...). Não se perguntará nunca o que um livro quer dizer, perguntar-se-á com o que ele funciona, em conexão com o que ele faz ou não passar intensidades, em que multiplicidades ele se introduz e metamorfoseia a sua, com que corpos sem órgãos ele faz convergir o seu. Um livro existe pelo fora e no fora. (DELEUZE; GUATTARI, 1995, p. 18).
ResponderExcluirAs conexões e multiplicidades são rizomáticas. A multiplicidade (aqui tratada como substantivo), não começa nem termina. Encontra-se no meio. Não tem nem sujeito nem objeto, mas somente (...) dimensões que não podem crescer sem que mude de natureza (DELEUZE; GUATARRI, 1995, p. 23).
Eliana Aparecida de Jesus Reis